Apesar de muitas vezes negligenciado, o Design é uma ferramenta fundamental para o processo de criação de produtos, serviços, experiências e, como veremos, conceitos. De modo a exemplificar esta afirmação, pare por um instante e olhe ao seu redor. Pense nas razões que justificam as escolhas de material, formato e cor para os objetos no seu ambiente. O que levou os criadores destes objetos a decidir por tais características? Por que não outras? Como seria a experiência de utilizar estes objetos caso eles tivessem composições diferentes? Todas estas questões fazem parte do processo de design de algo, e deixar de respondê-las pode ser perigoso. Literalmente.

Design Falho

De maneira geral, um processo de Design só se torna aparente quando ele deixa de funcionar, já que neste momento o produto, serviço, ou experiência desenhados por esse processo falham e o usuário final sofre com isso. Contudo, independentemente de estarmos conscientes de tais processos ou não, eles existem - e estão em todas as partes.

A diferença entre consciência ou falta de em relação ao Design é a capacidade de reflexão sobre os consequências das “escolhas de design” por parte dos usuários. E as subsequentes decisões perante tal reflexão. Isto é, ao estar consciente dos efeitos (desejáveis e indesejáveis) de um produto ou serviço, um usuário pode decidir por utilizar-lo ou não, ou ainda por alterá-lo de maneira a aprimorar suas funcionalidades de acordo com um objetivo final. Obviamente, tal possibilidade varia dependendo do produto, serviço ou experiência em questão. Contudo, ela é invariavelmente importante, especialmente por conta dos processos de retroalimentação (feedback) que ditam as interações criação <-> criador.

“The world is designed, and yet, the world designs us. We are trapped in a dynamic feedback loop between what we create as a species and the ways in which our created artifacts make us a species.”1

Sem entrar muito em detalhes metafísicos, é possível afirmar que sempre haverá uma relação de influência entre criador e criação. Em outras palavras, quando utilizamos o design para a criação de algo, este algo afetará a maneira pela qual passamos a interagir com o mundo e, consequentemente, a maneira pela qual “enxergamos” o mundo - incluindo o algo que desencadeou este processo. Quando não nos atentamos para tais eventos, consequências negativas podem surgir, como padrões de passividade em relação a designs não funcionais - especialmente se o algo criado reforçar a percepção de que não é possível criar um algo melhor. Mas mesmo quando nos tornamos cientes de loops prejudiciais, é possível que seja extremamente difícil modificar os mesmos caso a relação criação <-> criador tenha entrado em um estado de equilíbrio dinâmico - exemplificado pelo conceito de Atrator em Sistemas Dinâmicos.

Quando pensamos em produtos geralmente associados aos processos de design, como celulares, computadores, móveis, etc. pode ser difícil de se observar os fenômenos descritos acima. O que é explicado pela alta rotatividade e inovação destes produtos (que costumam ter sua durabilidade programada de fábrica). Porém, se extrapolarmos o conceito de Design para outras esferas da vida humana (lembre-se, o design é ubíquo), isso tais fenômenos de retroalimentação tornam-se evidentes. E é razoável afirmar que a esfera em que o Design tem maior relevância é a cultural.

Cultura

É extremamente difícil estabelecer uma definição abrangente o suficiente que faça juz ao conceito Cultura. Ainda assim, é possível encontrar uma formulação razoavelmente ponderada na Wikipédia2:

“Cultura (do latim cultura) é um conceito de várias acepções, sendo a mais corrente, especialmente na antropologia, a definição genérica formulada por Edward B. Tylor segundo a qual cultura é ‘todo aquele complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade’.”

Percebe-se a abrangência do termo através de definições formais como esta, mas também através das interpretações individuais de cada pessoa que, ao ser criado por e criador de elementos culturais, define o conceito. Particularmente, o Emergir prefere uma delimitação com foco nas características dinâmicas da Cultura, o que é alcançado quando este conceito é visto através das lentes das Teorias da Evolução e da Complexidade. Por sua vez, tal abordagem trata de Cultura como o processo dinâmico de troca de informação entre membros de uma espécie que, juntamente com trocas genéticas, determina a adaptabilidade da mesma em um ambiente ao longo do tempo.

Evolução Cultural

“The core idea of cultural evolution is that cultural change constitutes an evolutionary process that shares fundamental similarities with – but also differs in key ways from – genetic evolution. As such, human behavior is shaped by both genetic and cultural evolution. The same can be said for many other animal species; like the tool use of chimpanzees or Caledonian crows or the complex social organization of hives for ants, bees, termites, and wasps.”3

A partir desta perspectiva, Cultura assume um papel extremamente importante no que diz respeito à perpetuação da espécie humana no planeta Terra. E não faltam exemplos de como elementos culturais determinaram - e continuam determinando - as relações de grupos humanos entre si e com o seu ambiente. A Teoria de Seleção Multinível (TSM) do biólogo evolucionário David Sloan Wilson é um deles. TSM afirma que o egoísmo é uma característica vantajosa em dinâmicas individuais intra-grupo (como disputa entre membros de um grupo), enquanto o altruísmo e a colaboração são mais vantajosos para dinâmicas inter-grupos (como a disputa territorial ou populacional de dois grupos em uma mesma região). E a teoria vai além para afirmar que o fenômeno de seleção natural acontece a nível de grupos de indivíduos de uma mesma espécie (e não apenas com os indivíduos desta espécie), dependendo das diferentes interações intra e entre grupo4.

Contudo, até hoje a maioria dos fenômenos evolutivo-culturais como a TSM têm se manifestado de maneiras completamente não intencionais. Isto é, os sujeitos influenciados por estes fenômenos (com destaque aos seres humanos) têm demonstrado pouca consciência de tais influências e, consequentemente, quase que nenhum poder para torná-las bidirecionais. Em outras palavras, até os dias de hoje nos encontramos à mercê das “vontades” evolutivas ditadas por processos culturais. A princípio isto pode não parecer um grande problema. Afinal, “estamos vivos até hoje, não é mesmo?” Porém, a história não é bem essa.

As recentes manifestações culturais de macro escala derivadas da revolução industrial - principalmente econômicas - têm se apresentado como grandes ameaças à vida como a conhecemos. A crença global no extrativismo como motor de crescimento econômico e social, e a ideia de que o ser humano está desconectado dos processos naturais ao seu redor têm guiado o caminho para um futuro cada vez mais catastrófico. Até o momento, as espécies menos protegidas pagaram pelo alto preço dessa cultura econômica global com a sua existência. Porém, com a certeza do início da era geológica Antropoceno - caracterizada pela influência humana em seu ambiente - começamos a viver as mesmas ameaças através de desastres naturais e mudanças intensas nos mecanismos de regulação do planeta, como o aquecimento global. Além disso, fenômenos sócio-culturais contemporâneos que apresentam a mesma ameaça à vida têm origens semelhantes. Como por exemplo o terrorismo radical, que é geralmente alimentado por uma conjuntura pós-colonial caracterizada pela falta de recursos e perspectivas em países que tiveram seus recursos naturais e humanos gravemente explorados.

E enquanto é arriscado afirmar que os processos culturais extrativos mencionados acima aconteceram sempre de maneira não intencional - haja vista famosos planos de governo ocidentais que fomentaram tais ideias - é razoável defender que estes quase nunca foram desenvolvidos e modificados de forma intencional pela maioria das pessoas afetadas por eles. E se pensarmos na evolução destes processos ao longo do tempo, a intencionalidade se torna ainda menos presente, mas com consequências cada vez mais graves. Porém, desta vez não são apenas os “usuários” que sofrem com a falta de intencionalidade, mas também os “criadores” destes fenômenos culturais, uma vez que os efeitos de retroalimentação - como desastres naturais e ameaças radicais - passam a ameaçar a todos, sem distinção. E é neste momento que as discussões sobre Design e Cultura tornam-se essenciais!

“Todos los organismos vivientes son en cierta medida autónomos por el hecho de seguir una pauta vital que les es propia, pero en el hombre esta autonomía esuna condición esencial para su ulterior desarrollo. Cedemos parte de nuestra autonomía cuando estamos enfermos o impedidos, pero cederla cada día y en cada ocasión equivaldría a convertir la vida en una enfermedad crónica. La mejor vida posible -y aquípiso conscientemente terreno disputado- es la que exige un grado todavía mayor de auto dirección, auto expresión y autorrealización. En este sentido, la personalidad, antes atributo exclusivo de los reyes, corresponde en teoría democrática a cada hombre. La vida en sí, con su plenitud y totalidad, no puede ser delegada.”5

Field of Cultural Design - Applied Cultural Evolution

De forma a não sermos mais vítimas de processos evolutivos-culturais não intencionais e termos a certeza da vida em harmonia para nós e para gerações futuras, precisamos tomar as rédeas destes processos e guiar-los com rigor científico e de acordo com fundamentos sólidos de coexistência e sustentabilidade. É isso o que afirma o Design Cultural, um campo emergente de estudos interdisciplinares interessado na aplicação de princípios de design para a evolução intencional de elementos culturais.

“Just as we find ourselves in greatest need, a new capacity can be brought into existence that enables us to shape the evolution of cultural systems at the local, regional, and planetary scales. This capacity is nascent across many knowledge domains. It will require a grand synthesis of many different fields that have been siloed in the past. I call this transdisciplinary synthesis ‘culture design’.”6

Como mencionado anteriormente, o já estabelecido campo de Evolução Cultural busca integrar a Teoria da Evolução com os estudos feitos pelas Ciências Sociais de modo a entender a mudança de fenômenos sociais ao longo do tempo. Dentro deste contexto, o campo de Design Cultural se apresenta como área científica interessada na aplicação dos achados da Evolução Cultural. Se retornarmos à discussão sobre processos de retroalimentação entre criação e criador, podemos pensar neste campo como um esforço que busca 1) a conscientização dos efeitos do design cultural nos seus “usuários” e 2) a modificação intencional das escolhas de design de modo a atingir resultados desejados por parte dos “usuários”.

O cientista da complexidade e “change strategist” Joe Brewer têm liderado os esforços nesse campo e, junto com parceiros estratégicos, dado passos importantes para a sua de facto criação. As qualificações acadêmicas e experiências profissionais de Joe justificam a sua decisão de dedicar a vida à realização de uma tarefa tão difícil - mas extremamente necessária.

“Joe has a unique background in physics, math, philosophy, atmospheric science, complexity research, and cognitive linguistics. More than a decade ago, he left the academy to trail blaze a path for other research practitioners to follow. Awakened to the threat of human-induced climate disruption while pursuing a Ph.D. in atmospheric science, he switched fields and began to work with scholars in the behavioral and cognitive sciences with the hope of helping create large-scale behavior change at the level of global civilization.”7

Durante os últimos anos o cientista tem construído fundações sólidas para a criação do campo de Design Cultural. Estas estão representadas nos inúmeros projetos e parcerias criadas com instituições e centros de pesquisas focados nas grandes questões humanas. E atualmente Joe está muito próximo de oficializar a criação do campo e sua infraestrutura em parceria com um renomado centro de pesquisa dos EUA. Mas antes de falarmos disso é importante esclarecer o que é, de fato, o campo de Design Cultural.

Design Cultural - O que é

É compreensível que a ideia de design intencional de processos culturais cause certo temor em alguns leitores. Afinal, isso não seria equivalente à imposição de maneiras de agir em uma população? Não! É importante clarificar este ponto para entender o real potencial do campo explorado neste texto. Uma rápida reflexão histórica demonstra que imposições culturais que restringem a liberdade e a autodeterminação de um povo têm uma grande característica em comum: elas acontecem de cima para baixo. Em outras palavras, elas são impostas por um grupo que detém um maior poder determinado (bélico, econômico, etc) sobre um grupo de menor poder. Isto foi verdade para as conquistas do Império Romano, para a colonização das Américas e da África, e para a recente onda neoliberal. Muito diferente disso, o que o campo de Design Cultural propõe é uma abordagem ativa para com processos evolutivos-culturais a partir de ações de baixo para cima. Ao invés de recebem passivamente - e inconscientemente - os elementos culturais impostos para si, pessoas e comunidades estariam equipadas com os conhecimentos e técnicas desse campo para determinarem, por si próprias, quais são os elementos culturais que devem ser fomentados em futuros processos evolutivos. E o mais importante, tais grupos agiriam de maneira a garantir que tais objetivos sejam alcançados.

Se pensarmos bem, isso na verdade já ocorre quando pensamos nas organizações e instituições que hoje exercem um papel importante no design de elementos culturais. Como por exemplo, os diversos departamentos de marketing e relações públicas de empresas, as diferentes ONGs que lutam por uma causa, ou grupos de membros da sociedade civil que se organizam ao redor de causas locais. Porém, estes grupos raramente colaboram uns com os outros ao redor de pautas sistêmicas, como por exemplo o combate à depredação dos recursos naturais de uma região. Além disso, tais ações feitas em silos carecem de uma abordagem rigorosa para a apuração de seus efeitos (desejáveis e indesejáveis) e uma linha teórica que as dê sentido. E são exatamente estes pontos que o campo de Design Cultural almeja melhorar.

“One way to think about the current predicament is that humanity has been gradually cultivating the capacity for culture design for more than a century – through our efforts to craft social policies, use advertising to shape consumer behaviour, deploy military and financial resources to gain power and create market economies, and so on. What we have not done well is apply these skills for the betterment of everyone.”6

Ao utilizar os atuais recursos tecnológicos ao nosso dispor para empoderar grupos e comunidades que desejam evoluir seus elementos culturais de maneira ativa, o Design Cultural pretende estabelecer as conexões extremamentes necessárias entres as diferentes áreas do conhecimento científico. Em mais detalhes:

“The keystone pillars of this field – which comprises hundreds of existing domains of research and practice – are complexity research, cognitive science, and cultural evolution. ~ Complexity Research looks at the interactions among many parts that give rise to novelty in physical, biological and social systems. It includes topics like the study of tipping points, feedback loops, rules of local interaction, emergence of global behaviours, dynamic attractors, and so forth. ~ Cognitive Science brings together all that is known about human thought and behaviour. It looks at the neural processing of language, how emotions shape reasoning, why the body and brain interact in profound and subtle ways that give rise to the making of meaning, and much more. ~ Cultural Evolution is the application of evolutionary principles to the emergence of fitness criteria for idea propagation. It looks at the spread of ideas and emergence of new cultural traits in social systems at the interpersonal and institutional scales. Taken together, these knowledge domains enable designers to engage in the many practices of “applied memetics” – uncovering the patterns of social change that arise when ideas and behaviours spread across social systems. The skills of this craft include creation of viral media events, shaping of cultural mythologies, crafting of social policies, diffusing innovations of both technical and social nature, and a host of social analytics for monitoring and shaping the process throughout.”6

Desta maneira, o Design Cultural serviria como fonte de conhecimento científico (prático e teórico) para grupos de pessoas trabalhando em prol de mudanças sociais sustentáveis e que buscam uma abordagem interdisciplinar e robusta para a implementação, avaliação e iteração de suas práticas. De maneira mais prática, o campo funcionaria como uma “data driven social science” que faz uso de recursos tecnológicos de aquisição de dados para guiar as ações coletivas em diferentes áreas, desde o manejo de recursos naturais até estudo dos elementos básicos que determinam certos comportamentos humanos.

Alicerce

Até o momento, Joe tem construído um forte alicerce para a criação do campo, contando com parcerias com projeto estratégicos em que ele próprio esteve envolvido. Vale a pena mencionar quais são estas iniciativas para termos uma ideia da escala de seu trabalho.

“we are preparing the platforms for collaboration through which millions of people will be able to participate in the wholesale redesign of our civilization.”

Culture Evolution Society

O primeiro projeto que merece destaque é a Culture Evolution Society (“Sociedade da Evolução Cultural’). Este é um grupo de pesquisa interdisciplinar inicialmente liderado por Joe Brewer e incubado dentro do Evolution Institute (“Instituto da Evolução”) com o auxílio de uma grant da John Templeton Foundation. A sociedade conta com pesquisadores, professores e entusiastas do campo de Evolução Cultural que buscam uma maior integração entre os diferentes trabalhos e projetos acadêmicos ao redor do tema. A CES foi formalizada em Setembro de 2017 com a organização da sua primeira conferência no Instituto de pesquisa Max Planck Institute for the Science of Human History em Jena, na Alemana. Além disso, durante o mesmo ano os membros da CES mapearam os grandes desafios para o campo de Evolução Cultural (Imagem 1), e estabeleceram um corpo de governança e sistema de filiação que permitirão o seu funcionamento no longo prazo. Hoje, Joe já não lidera mais o projeto dada a sua total dedicação à criação do campo de Design Cultural. Porém, as atividades da CES continuam e a sua próxima conferência acontecerá na Arizona State University School of Evolution and Social Change Tempe, Arizona.

“The global community of researchers we are organizing in the Cultural Evolution Society have given themselves the mission to synthesize biology, the social sciences, and humanities on the academic front… This will be an essential pillar for guiding the (Culture Design) practitioner community with data analytics, cultural monitoring, and action research projects — where every location engaging in social change can become a field site for cultural evolution research.”8

Mapeamento

TheRules.org

Joe também participou da criação do coletivo de escritores, ativistas, pesquisadores e programadores The Rules, cujo objetivo é expor as causas-raízes das crises que assolam a humanidade atualmente. Para tanto, eles trabalham com a divulgação de narrativas alternativas ao sistema econômico extrativo característico da globalização, além de servirem como um hub para a conexão de pessoas e ideias. Dentros destas ações, o Culture Hack Lab merece destaque:

“Through the Culture Hack Lab, we work to understand how stories change culture over time. Capitalism, for example, isn’t something tangible that you can touch, it’s a powerful story that millions of us around the world have bought into. But it’s also an old, worn-out story that needs to be replaced with one fit for the 21st century and beyond. We use our framing and data analysis expertise, our creativity and storytelling powers to show up the stories that have shaped our global economy, and how that has brought about things like poverty, inequality and climate change. And then we tell new ones that show that another world is possible in a way that feels like common sense.”

Assim, não é difícil de imaginar como a proximidade com o The Rules pode auxiliar na criação do campo de Design Cultural.

Smart Ecologies

E outra parceria de destaque é o projeto Smart Ecologies, que teve Joe como um de seus conselheiros fundadores e que hoje se encontra em estágios avançados de desenvolvimento de modelos teóricos e de infraestrutura para negócios e sistemas econômicos alternativos que visam um posicionamento estável no mundo pós-capitalista. Um de tais modelos é a incubadora global SHIFT, como detalhado abaixo:

Shift

“My partners at Smart Ecologies are building media platforms that merge the analytic tools of ecosystem science with best practices in technology startups to create networks of social benefit companies for the new economy. Among our plans is a future project to re-invent journalism in a way that increases inquiry and reduces the likelihood of polarization around conversations that matter.”8

Com essa robusta rede de pré-projetos e parceiros, Joe encaminha para os próximos passos necessários para cumbrir o seu objetivo. Mais especificamente, sua tarefa no momento tem sido o preparo da incubação institucional da organização que dará início ao campo de Design Cultural: The Culture Design Institute (Instituto de Design Cultural).

“No organization exists with the mission to vet, organize, and translate the vast bodies of scientific knowledge about cultural change into a “network solution” of monitoring and guiding change practices in communities as they struggle with real-time disruptions across scales of time, space, and complexity.”9

Culture Design Institute (CDI)

Ainda em fase de criação, este instituto servirá como o coração do campo de Design Cultural, conectando-se com outros projetos, entidades filantrópicas, centros de pesquisas e, mais o importante, comunidades ao redor do mundo que queiram aplicar os conhecimento desse campo para o aprimoramento de suas atividades de transformação social. A ideia é que o instituto opere como uma organização sem fins lucrativos e que se mantenha através de quatro pilares:

  • Apoio financeiro de instituições filantrópicas através de grants;
  • Doações feitas por indivíduos que acreditem na missão do Instituto;
  • Serviços de consultoria para projetos e serviços de clientes diversos - governos, ONGs, associações da sociedade civil;
  • Treinamentos e certificações para pessoas que desejem se tornar designer culturais e que buscam qualificação para tanto.

De maneira a tornar este plano uma realidade, Joe caminha em estágios avançados de uma parceria com o Oregon Research Institute, onde o Instituto de Design Cultural seria incubado por dois anos até alcançar um estágio de maior maturidade.

“The Culture Design Institute is a yet-to-be-formed entity that bridges two worlds. One is the world of scholarly scientific research in complexity science, evolutionary studies, the cognitive and behavioral sciences, public health and prevention research, the social sciences, and related disciplines that span within and among them. The other is the world of change practitioners grappling with real-world challenges who lack access to this vast body of tools and knowledge.”9

Culture Design Labs (CDL)

Uma vez que o CDI esteja estabelecido, Joe e seus parceiros planejam uma atuação em rede e no longo prazo para que o instituto tenha o impacto desejado e necessário. Inspirado pelo conceito de field site (local de pesquisa de campo) para o estudo de Evolução Cultural1011, a ideia é que todas as comunidades, associações e organizações trabalhando por melhoria sociais em torno de pilares de sustentabilidade possam se conectar ao CDI (e a outros grupos da rede) de forma a aprimorar suas práticas utilizando os métodos e tecnologias do emergente campo de Design Cultural. Exemplos incluem (mas não estão limitados a) grupos de agricultura local ou permacultura, sistemas escolares locais, comunidades lutando por causas ambientais, etc. Cada um desses centros seriam o que Joe tem chamado de Cultura Design Lab (Laboratório de Design Cultural).

Rede CDL

”Our vision is to build a global network of culture design labs where every community that strives for greater health and resilience is potentially a field site for applied cultural evolution research. We build monitoring, analysis, and training capacities—informed by the best social sciences available—to help change practitioners engage in rigorous and effective approaches to intentionally evolving their cultures, landscapes, and institutions in a manner that is consistent with ecological principles.”9

Esses labs estabelecerão trocas e relações simbióticas entre si e o CDI, trocando recursos científicos, tecnológico, e humanos. Em uma próxima fase do desenvolvimento do campo de Design Cultural, os interessados em iniciar os primeiros labs (ou formalizar esforços já existentes) ao redor receberão o treinamento adequado através do CDI. Treinamento este que não envolveria apenas capacitação teórica, mas também aprimoramento físico e emocional para lidar com os desafios de se transformar os elementos culturais de uma região. Assim estas pessoas poderão servir como faíscas para o campo de Design Cultural em suas regiões, praticando, divulgando e aprimorando as práticas necessárias para guiar a humanidade (através de movimentos de baixo para cima) em direção a um futuro de existência harmoniosa.

Árvore Fractal

As atividades de cada CDL dependerá primordialmente do seu contexto e dos desafios com origem cultural que cada uma enfrenta. Porém, em um de seus textos Joe descreve alguns exemplos:

  • “Group facilitation can be done to convene workshops, run scenarios, cultivate consensus, or design action plans for a community of people.Discourse analysis can be done to study the language underlying thoughts and actions that were dysfunction in the past to reveal where problems in understanding get in the way of finding workable solutions.Social learning processes can be identified to see how particular cultural practices get reproduced in younger generations or are thwarted and altered by some kind of educational intervention.Pattern and trend analysis can be done to learn how things are changing in the social demographics of a particular community and for the larger social systems that impact them.”8

  • “For example, if a small town was wiped out by tornadoes they might want to rebuild on 100% renewable energy so they aren’t part of the problem of global warming that made severe storms more likely in the past. Or perhaps a city riddled with bullets flung between white police and black community members might want to shift the social norms and mental models that militarized the police force in the past. Changes like these can be made intentionally, but only if those involved know what the practices of culture design happen to be.”8

Também não é difícil de imaginar como tais iniciativas poderiam conquistar sustentabilidade financeira, haja vista o crescente interesse por parte do setores público e privado em soluções para os problemas que ameaçam a vida em sociedade. Além disso, como mencionado acima, modelos de negócio e infraestrutura robustos estão sendo criados pela Smart Ecology, o que poderia servir como blueprint para o desenvolvimento dos CDLs.

Longo Prazo

Os planos de Joe para o campo de Desing Cultural, para o CDI e para os CDLs são de longo prazo. Afinal, as mudanças que estas iniciativas pretendem catalisar são, por si próprias, de longo prazo. O planejamento abaixo demonstra alguns dos marcos importantes nessa jornada:

Planejamento

Com a criação dos primeiros CDLs nos próximos anos, é esperado que projetos de demonstração sejam criados ao redor do mundo durante um período de 10 anos. Após isso, e esperando o sucesso de tais projetos, prevê-se uma explosão na divulgação de melhores práticas, resultando em um momento em que todas instituições e práticas humanas são baseadas em princípios de biomimética.

Biomimética: “Humans are clever, but without intending to, we have created massive sustainability problems for future generations. Fortunately, solutions to these global challenges are all around us. Biomimicry is an approach to innovation that seeks sustainable solutions to human challenges by emulating nature’s time-tested patterns and strategies. The goal is to create products, processes, and policies—new ways of living—that are well-adapted to life on earth over the long haul. The core idea is that nature has already solved many of the problems we are grappling with. Animals, plants, and microbes are the consummate engineers. After billions of years of research and development, failures are fossils, and what surrounds us is the secret to survival.”12

Biomimética

Estamos vivendo os momentos iniciais deste planejamento, onde Joe, além de estabelecer as parcerias institucionais para a criação do campo de Design Cultural, começa os trabalhos de estruturação e formalização do CDI. Reuniões importantes têm acontecido já no início de 2018 para garantir a incubação do projeto junto ao Oregon Research Institute. E em paralelo, Joe inicia esforços de fundraising para a criação de uma biblioteca de Evolução Cultural que abastecerá o CDI. E ele também mantém uma conta no Patreon (plataforma em que usuários podem ajudar financeiramente os seus criadores de conteúdo favoritos), onde entusiastas do campo de Design Cultural podem contribuir com o projeto.

Pensamentos Finals

A criação do campo de Design Cultural e o seu objetivo de ter todas as atividades humanas operando a partir de princípios de biomimética até 2050 são, sem sombra de dúvidas, tarefas extremamente difíceis e que exigirão um esforço de coordenação de proporções únicas. Contudo, cada vez mais e mais pessoas chegam à conclusão de que não existem muitas alternativas caso desejemos garantir a existência da espécie humana no planeta Terra no longo prazo. E apesar de não existirem fórmulas mágicas para que isso ocorra, o campo Design Cultural apresenta possibilidades reais, com estruturas e conexões raras de se ver em outras iniciativas semelhantes. Com a sua abordagem de conscientização sobre os efeitos do design em processos evolutivos-culturais, o campo se estabelece como o único esforço que busca integrar as ciências sociais, humanas e exatas sob os “guarda-chuvas” da complexidades, evolução e cognição para a capacitação de pessoas trabalhando na resolução de problemas sistêmicos locais e regionais.

E a exemplo do que foi discutido no início deste texto sobre os efeitos de retroalimentação das escolhas de design, é extremamente empolgante imaginar quais seriam os padrões que surgiriam entre criação e criador a partir do momento que o último toma consciência sobre e passa a guiar a evolução do primeiro. Isto é, quando as pessoas passarem a tomar as rédeas dos processos evolutivos culturais, e guiar-los com base em princípios de sustentabilidade como a biomimética, é impossível de prever quais serão os efeitos emergentes para a vida em sociedade. Talvez estamos falando aqui da construção de um mundo muito melhor do que qualquer pessoa possa imaginar hoje. Afinal, como apontado em recentes entrevistas pelo pesquisador da complexidade Daniel Schmachtenberger13 e pelo renomado economista ecológico Robert Costanza14, um mundo de relações simbióticas entre os seres humanos e seu ambiente apresentaria uma melhoria de vida exponencial para todos, inclusive para as atuais elites que, apesar de gozarem de um poder aquisitivo comparativo elevado, acabam por sofrer das mesmas mazelas sistêmicas que ameaçam a vida no planeta.

E se tem uma coisa que a Era Antropoceno nos diz é que nós somos os responsáveis por estarmos na bagunça em que estamos e apenas nós temos a capacidade de resolver esta situação. No que diz respeito à opinião do Emergir, é possível colocar a casa em ordem (partimos sempre de uma perspectiva otimista). Contudo, isto requer esforços realmente inovadores e emergentes, que estejam na fronteira entre o possível e o impossível. Esforços como o campo de Design Cultural.

”I am going to make a bold claim now—that cultural evolution is THE MOST IMPORTANT body of science for dealing with the global crises arising from this unprecedented time in human history. The study of social behavior, emergent complexity in human systems, how political and economic systems change, the roles of language and technology for shaping human experience, what makes us uniquely human, how landscapes and ecosystems co-evolve across various spans of space and time, and so forth. These are the topics that matter most in the midst of an unprecedented planetary crisis unlike anything our species has seen before.”15

Avante, em rede!


O Instituto de Design Cultural (CDI) foi aprovado

Na manhã do dia 12 de Janeiro de 2018, o Instituto de Design Cultural teve sua incubação dentro Oregon Research Institute aprovada por um comitê de avaliação da universidade. A partir de agora o campo de Design Cultural conta com uma estrutura fiscal para a sua criação! Agora Joe inicia as atividades mais práticas deste esforço nobre e necessário. Mais notícias em breve.

Sucesso

Referências

  1. https://medium.com/disruptive-design/how-design-designs-us-part-1-6583a9b61b57 

  2. https://pt.wikipedia.org/wiki/Cultura 

  3. https://culturalevolutionsociety.org/story/What_is_Cultural_Evolution.html 

  4. http://professormarkvanvugt.com/images/files/MultilevelSelectionTheoryandMajorEvolutionaryTransitions-CurrentDirectionsInPsychologicalScience-2007.pdf 

  5. https://cursosupla.files.wordpress.com/2015/03/mumford-l-tc3a9cnicas-autoritarias-y-tc3a9cnicas-democrc3a1ticas-1964.pdf 

  6. http://spanda.org/SpandaJounrnal_VI,1.pdf  2 3

  7. https://www.linkedin.com/in/joe-brewer-4957925 

  8. https://artplusmarketing.com/can-we-design-the-future-we-want-2a99122f7834  2 3 4

  9. https://www.patreon.com/posts/insiders-peak-at-15750282  2 3

  10. https://evolution-institute.org/focus-article/developing-the-field-site-concept-for-the-study-of-cultural-evolution-an-evolutionary-biologists-view/ 

  11. https://evolution-institute.org/focus-article/developing-the-field-site-concept-for-the-study-of-cultural-evolution-an-anthropologists-view/ 

  12. https://biomimicry.org/what-is-biomimicry/ 

  13. http://futurethinkers.org/daniel-schmachtenberger-phase-shift/ 

  14. https://soundcloud.com/rescoperadio/ecological-economics-a-conversation-with-world-renowned-systems-thinker-professor-robert-costanza 

  15. https://shift.newco.co/cultural-evolution-in-the-anthropocene-8cf93fcad322